PRA FRENTE BRASIL!


O Brasil apesar de suas proporções continentais, das inúmeras riquezas naturais, do povo com uma enorme resiliência e de todo o potencial criativo e empresarial, ainda temos uma cultura viciada em hábitos e conceitos herdados de diversas partes da nossa história, que se por um lado caracterizam nosso povo, por outro podem ser o motivo pelo qual, além da economia, nosso país ainda seja considerado subdesenvolvido.

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O crescimento e desenvolvimento de um país gira em círculo, uma coisa leva à outra que chega em outra e volta para primeira e assim por diante.  Isso ocorre em todos os setores e abrange todos os agentes econômicos envolvidos nesta roda. Por parte do governo, o país é retrato da corrupção. Talvez parte, por conceitos herdados da ditadura militar onde o gorverno exercia pleno poder sobre os cidadãos, podendo decidir sobre suas vidas sem ser questionado. Parte por um sistema judiciário falho, onde a impunidade impera, encorajando aqueles que têm acesso ao poder à agir da forma que melhor lhe convier. Como a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, perde os cidadãos que têm um país de incrível potencial trabalhando em capacidade ociosa. Por parte das famílias, ou cidadãos, temos um povo de pouca cultura. Talvez também por herança da tal ditadura, que em seus tempos tinha um governo que investia muito em esportes e nada em educação e cultura. Nesta época era um tanto quanto conveniente aos ditadores que seus governados fossem o mais ignorantes possível.Vivíamos (alias, viveram… porque nesta época nem havia nascido. Vim ao mundo somente dois anos depois do fim da ditadura!) uma terra nas quais nossos direitos foram anulados e aqueles poucos que tentaram burlar às imposições do governo ditador foram extraditados do país, isso quando, para não sofrerem tortura, fugiram buscando asilo em outro país. Ainda hoje, não se sabe o paradeiro de muitas das pessoas que “sumiram” durante a ditadura, uns por questionar tal forma de governo, outros por tentar quebrar suas imposições e muitos outros apenas por perseguição. Nem sempre havia um motivo concreto para se levar alguém às prisões. Tantos sofrimentos trouxeram ao nosso povo a mania de pouco questionar as atitudes do governo, ou melhor, de desacreditar que haveria alguma atitude em prol deles mesmos. Nossas relações pós ditadura eram estabelecidas por uma constituição descreditada. O cidadão não sabia (e até hoje não sabe) quais são seus reais direitos. Não sabe sobre o que pode e deve exigir de seus governantes, não sabe quais as reivindicações cabíveis em vários momentos de sua vida. Mas, acredito eu, que o pior de tudo é não saber a força que tem.

Por parte das empresas, somos um povo de estrutura patriarcal. Nossas empresas em grande parte eram formada por famílias. Valorizava-se a produção e pouco o funcionário. Até pouco mais de 20 anos atrás, o consumidor não tinha direitos e as opções de consumo eram pouco variadas. Herdamos da ditadura uma economia desestabilizada, com índices de inflação que chegaram a mais de 200% ao mês. Em apenas um dia, era possível que um mesmo produto tivese variação de preços 3 ou 4 vezes. Neste cenário de verdadeira desordem e pouca ou nenhuma fiscalização as empresas viam a oportunidade de levar alguma vantagem em cima do consumidor. Nesta época surgiram os movimentos que reivindicavam os direitos do cidadão. Tal movimentação social conseguiu que fosse criado um código que regesse as relações de consumo por todas as parte. A partir daí foi que o consumidor conseguiu ter voz e que de alguma forma seus direitos e deveres fossem garantidos.

Hoje em pleno século XXI, vinte e um anos depois da criação do Código de Defesa do Consumidor é que começamos a ver que as empresas estão se preocupando com a imagem que levam à seus clientes. No entanto, tal feito só foi possível porque somente agora começamos a entender nosso força dentro do país. Só agora começamos a entender que somos nós os responsáveis pela movimentação da economia real, que somos nós que temos a responsabilidade de eleger aqueles que vão nos representar perante o mundo, que somos nós que damos forma à imagem projetada lá fora e principalmente, que somos nós, cidadãos, que damos força ao crescimento deste país. Nunca antes na história desse país o cidadão foi tão valorizado. Obviamente, nosso país ainda tem muitas falhas em seu sistema de governo e em sua economia mas somente agora nos foi permitido exercer nossa cidadania de forma plena, tendo conhecimento sobre tal.

A minha geração cresceu em meio à revolução tecnológia e comunicacional. Primeiro veio a popularização dos telefones residenciais, depois os celulares, os computadores, a internet, o e-mail, o messenger, as novas mídias socias. E apesar da rapidez na qual evoluimos, ela se tornou extremamente natural para nós. Temos acesso à informação de forma instantânea, nos permitimos questionar o sistema, reivindicamos aquilo que julgamos de nosso direito, espalhamos notícia e informação para os quatro cantos do mundo com apenas um clique. Junto conosco, o país evoluiu em outros aspectos também. Bom… os governantes, em sua maioria continuam corruptos e mentirosos. No entanto, temos no governo um verdadeiro representante do povo, um sindicalista que por anos  tentou fazer-se ouvir e que hoje (confesso que não sou sua maior fã e admiradora, mas não posso deixar de reconhecer o que fez pelo nosso país) conseguiu marcos históricos no governo.

Nós cidadãos e consumidores ainda sofremos com diversas áreas que deixam a desejar, mas somos mais bem instruídos, sabemos mais sobre nossos direitos, nos informamos e passamos informação com maior facilidade. Somos o ponto forte do país, o combustível para seu crescimento. Talvez por isso, hoje as empresas se preocupem mais com sua imagem no mercado perante todos seus públicos. Hoje investe-se muito mais em programas de valorização do funcionário, que é visto como cartão de visita de uma organização, Há também a valorização do marketing institucionacional no intuito de agregar valores à marca que vão de encontro à realidade atual. No entanto, apesar de toda a tecnologia disponível não é fácil estabelecer uma comunicação homogênea com todos os públicos, é preciso que se atente para suas diferenças e necessidades. E é para gerenciar estas relações, que o profissional de Relações Públicas se faz importante, tentando estabelecer relações saudáveis que atendam da melhor forma possível os interesses das partes.  Sua área de atuação é ampla e abrange os mais diversos setores de uma organização. Apesar de ser uma profissão relativamente nova e pouco conhecida, é cada vez mais valorizada no mercado alcançando patamares altíssimos e sucesso. Mas isso é assunto para um outro post!